Greve dos Caminhoneiros

NOTA DE CONJUNTURA DO DCE UFGD SOBRE A PARALISAÇÃO DOS CAMINHONEIROS

Hoje é o sétimo dia de paralisação dos caminhoneiros, movimento iniciado pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos – CNTA, Associação Brasileira dos Caminhoneiros ABCAM, União Nacional dos Caminhoneiros – UNICAM e demais entidades. Em 15 de Maio a CNTA solicitou via ofício ao Governo Federal o atendimento emergencial de demandas como: congelamento do preço do diesel, fim da cobrança dos pedágios sobre eixos suspensos, antes da instalação de uma mesa de negociações e já informando a deflagração de paralisação caso as demandas não fossem atendidas.

Como o Governo se recusou a negociar com a categoria a paralisação ocorreu no dia 21 de Maio causando a interrupção de abastecimento de combustível e significativa redução na oferta de transporte público e do abastecimento em geral. A paralisação se intensifica com a adesão das transportadoras que se comprometem em não cortar salários ou realizar demissões por causa da paralisação, pois a redução do preço do diesel é também interesse da classe patronal.

A crise gerada pela paralisação forçou o Governo Federal a negociar com a categoria. Contudo no processo de negociação houve uma visível apropriação da pauta dos caminhoneiros por parte da classe empresarial que propôs a baixa dos preços do diesel por meio da retirada de impostos e contribuições que incidem sobre o combustível. O acordo do dia 24 de maio, proposto pela maioria das entidades representativas da classe empresarial é rejeitado pelas entidades representativas das pequenas empresas e pelos trabalhadores autônomos que no dia 25 de maio permanecem paralisados. Pois, os trabalhadores em greve sabem que seus interesses são diferentes daqueles dos patrões.

Como a alta dos preços dos combustíveis afeta toda a sociedade a paralisação começa a ganhar apoio de grande parte da população e de setores organizados da classe trabalhadora que, no primeiro momento, se tornaram reticentes à paralisação devido ao duplo caráter do movimento, que defende, ora interesses empresariais, ora interesses da classe trabalhadora.

O Diretório Central dos e das Estudantes da Universidade Federal da Grande Dourados – DCE(UFGD) compreende que existe uma concreta apropriação dos interesses dos trabalhadores por parte dos interesses da classe empresarial que possui o poder político e econômico para direcioná-la aos seus interesses. Entende, que o movimento dos caminhoneiros não é homogêneo. Pois se compreende pelas movimentações, negociações e fatos que ele compõe-se de um número relativamente pequeno de grandes empresas que têm trabalhadores contratados, e por um grande número de pequenas e médias empresas e caminhoneiros autônomos que possui, portanto, interesses de classe distintos.

É perceptível que há uma disputa de interesses que vai desde condições dignas de trabalho, da garantia dos meios de produção pelas pequenas e médias empresas e autônomos aos interesses de ampliação dos lucros por parte das grandes transportadoras. Estas agem promovendo locaute, visando submeter as demandas legítimas dos caminhoneiros à uma pauta exclusivamente patronal e que não dialoga com os demais segmentos da classe trabalhadora. A greve dos caminhoneiros, ao contrário, demonstra um grande potencial de ampliação, sendo um passo inicial para unificação dos trabalhadores e trabalhadoras, vez que demonstra que somente estes criam riqueza e, portanto, podem parar a circulação de mercadorias e da produção.

Diante dos interesses de classe que se põem em disputa nos mobilizamos e fomos aos locais de paralisação dos caminhoneiros para dialogar com os trabalhadores e conseguimos identificar a imensa complexidade e fragilidade organizativa da categoria. O movimento necessita de apoio de entidades da classe trabalhadora para não ser pautado pelos interesses patronais e conservadores que em determinadas regiões no Brasil conclamam a intervenção militar que, inclusive, está sendo rejeitada, pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) – nota: https://goo.gl/pBwWCX.

O movimento estudantil da Universidade Federal da Grande Dourados nessa disputa deve expor as contradições, os interesses particulares que muitas vezes se encontram ocultos nessa pauta que aparece como universal. Os interesses da classe trabalhadora que são universais devem prevalecer aos interesses particulares de determinados segmentos da sociedade.

Dentre os interesses particulares encontra-se a redução da tributação em cima dos preços do combustível que não resolve os problemas da classe trabalhadora. O aumento dos combustíveis é resultado da desastrosa política de preços adotada pelo governo Temer e pela Petrobras, presidida por Pedro Parente. Essa nova política adota pelo atual governo beneficia apenas o mercado internacional, pois o preço do combustível é vinculado às oscilações do dólar e tem como interesse último a privatização da Petrobras. Somos contrários a essa medida, pois ela pode impactar de forma significativa no orçamento da União, Estados e Municípios resultando em maiores cortes nas áreas sociais como saúde, previdência, seguridade e educação.

As Universidades Federais sofrem com os cortes de gastos do atual governo que busca seu desmonte com a pretensão de privatizá-las, conforme recomendação do último relatório entregue ao governo pelo Banco Mundial (https://goo.gl/RvD9nX). Assim, o momento histórico exige uma análise rigorosa e responsável da situação. Análises superficiais e simplistas não nos ajudam nesse momento e podem contribuir com o imobilismo da classe trabalhadora que diante da situação deve se posicionar frente aos seus interesses.

Considerando os fatos expostos nos solidarizamos ao movimento legítimo dos caminhoneiros que reivindicam melhores condições de trabalho contra a precarização e exploração de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Também nos posicionamos totalmente contra os uso das forças militares, em qualquer hipótese.

Convocamos todos (as) estudantes, entidades representativas dos trabalhadores e movimentos sociais para ir às ruas e disputar os interesses dos trabalhadores em uma grande GREVE GERAL.

Nossa pauta:

1. Não à Intervenção Militar;
2. Não a Privatização da Petrobras, da Eletrobras, da Educação e SUS;
3. Revogação da Reforma Trabalhista e do novo Regime Fiscal (EC 95/2016);
4. Não a Reforma da Previdência;
5. Inversão da Política de Preços, taxação sobre os lucros dos monopólios e grandes empresas e não sobre o consumo;
6. Investimentos públicos em outros modais de transporte;
7. FORA TEMER!

Organização, resistência e luta!
Rumo a Greve Geral!

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