Nota: Nada Justifica o trote machista!

O Diretório Central dos e das Estudantes da UFGD recebeu com muita indignação a notícia de que uma estudante caloura foi vítima de um estupro em uma festa de recepção no dia de ontem (19/03). O DCE também já recebeu outra denúncia de assédio em outra festa de recepção. Esses casos revelam a reprodução da violência contra as mulheres na universidade e devem nos preocupar muito.

Nós repudiamos essas e quaisquer outras atitudes de agressão ou violação física, assim como, as práticas de opressão, humilhação, coerção e intimidação presentes na época de recepção a calouros e calouras. Veteranos não são proprietários dos calouros e calouras! Ações como essa acabam por transformar o sonho de entrar na universidade em um pesadelo sem fim.

Nesse sentido, exigimos que todos os responsáveis pelo ocorrido com a jovem sejam responsabilizados e penalizados. Estamos acompanhando o caso juntamente com a Reitoria da UFGD e estaremos cobrando para que as investigações ocorram de forma rápida e que as providências dentro da universidade sejam ágeis. Em relação aos relatos de assédio, estaremos encaminhando as providências de denúncia necessárias e nos colocamos à disposição de qualquer estudante que queira relatar casos de violência, sejam eles de qualquer tipo.

O trote, apesar de ser proibido de acordo com a Lei Estadual 2.929/2004, ainda ocorre frequentemente em nossas universidades. Essa atividade rebaixa e humilha os/as estudantes de várias formas, pois tem como finalidade infringir sua dignidade impondo uma relação de poder, onde quem ingressa deve servir aqueles que já estão a mais tempo na universidade. O trote tem como consequência a violação da integridade física e psicológica, logo, humilhações, preconceitos, coerções e intimidações são relatados com frequência durante os trotes.

Para as mulheres que ingressam na universidade e acabam se situando em alguma atividade de trote é ainda mais complicado. Pois, o patriarcado construiu/constrói uma hierarquia na qual o gênero feminino é inferiorizado e submisso. Decorrente disso, ocorrem os assédios e os estupros.

O assédio é um dos sintomas da sociedade machista em que vivemos. Quando trata-se de calouras, também temos a objetificação delas feita por muitos veteranos da universidade. Quando uma notícia relacionada ao assunto viraliza, logo vemos que ocorre uma ação de desacreditação e culpabilização da vítima: “ela bebeu demais”, “olha como ela foi vestida”, “deveria ter se cuidado”, “não deveria estar andando sozinha”. Reforçamos aqui o repúdio que temos a pessoas que disseminam essas frases. Não é fácil denunciar ou reagir quando uma pessoa passa por esse tipo de situação, dessa maneira pedimos empatia e sororidade a todos e todas.

O DCE, como a entidade de representação dos e das estudantes da UFGD, reforça que está a disposição de qualquer estudante que queira relatar casos de assédio, opressão ou violência. Garantimos o sigilo. Disponibilizamos nosso e-mail: ufgddce@gmail.com

Compreendendo a necessidade de dialogarmos juntos e juntas, o DCE está propondo uma atividade que ocorrerá amanhã (21/03). Será em frente a Biblioteca Central localizada na Unidade II, para mais informações acesse o link do evento: https://goo.gl/pzCiHM

Coloque o filtro da campanha no seu perfil: https://goo.gl/etZrnG

Diretoria do DCE UFGD
Gestão 2018 – Solte a voz
Dourados – MS, 20 de março de 2018.

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