Saúde Mental é coisa séria!

O Diretório Central dos e das Estudantes da UFGD vem, por meio desta nota, demonstrar preocupação com a atual situação de falta de estrutura adequada para com a política de assistência estudantil no que se refere à saúde mental e ao atendimento psicossocial prestado pela PROAE UFGD (Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis). Sabemos que um dos grandes dilemas do cotidiano da universidade que envolve a qualidade de vida dos e das estudantes é o acesso ao acompanhamento psicológico e a manutenção da saúde mental. Sendo assim, o direito ao acompanhamento deve ser um serviço de utilidade pública em tempos de grande sofrimento e em que os índices de depressão, ansiedade, individualismo, alcoolismo, comportamentos obsessivos e compulsivos, além do próprio suicídio, estão cada vez maiores.

Em 2016 a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que a cada 40 segundos uma pessoa morre tendo como causa o suicídio. Em 2012 a ONU apresentou estatísticas que apontam o suicídio como a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Trazer essa discussão para a universidade é urgente visto que é uma Instituição composta em sua maioria por jovens e que a rotina universitária pode causar danos a saúde mental dos e das estudantes. Em todas as faculdades, principalmente em tempos de fim de semestre vemos, lemos e ouvimos relatos de estudantes à beira do esgotamento psicológico e emocional. Esta realidade precisa ser encarada por todos nós na universidade. Sem saúde mental, não há saúde.

A PROAE deveria disponibilizar profissionais suficientes para o atendimento dos estudantes em situação de vulnerabilidade de saúde mental, mas não é o que acontece. Há um problema estrutural que é a falta de profissionais para suprir a demanda. O DCE entrou em contato com a PROAE e a profissional que no momento atende os e as estudantes não foi concursada exatamente para esta função, porém, presta o serviço de terapeuta diante da necessidade evidente dos e das estudantes. A continuidade desses atendimentos só é possível por meio do empenho desta profissional. Devido a grande demanda (hoje tem-se uma fila de espera de aproximadamente 30 pessoas) não há a possibilidade de agendar novos atendimentos para outros estudantes em necessidade.

Além da sobrecarga que recai sobre a profissional, tem-se ainda a falta de infraestrutura para os atendimentos, visto que a administração da universidade não disponibiliza e oferece sala adequada para que os e as estudantes tenham privacidade e possam ser ouvidos e aconselhados da melhor maneira possível. Há uma previsão, segundo informações obtidas na PROAE, de que um espaço será disponibilizado em junho deste ano. O set terapêutico é de extrema importância no processo analítico e fundamental para que se cumpra o sigilo profissional, exigido pelo código de ética do psicólogo. Sem este, o tratamento torna-se incompleto, pode gerar constrangimento ao paciente e comprometer o trabalho do profissional.

Deste modo, o DCE vem aqui manifestar que não tolerará esta situação diante do contexto de surtos de problemas de saúde mental que tem se manifestado em nossa Universidade e em tantos outros espaços. É fundamental que continuemos este tipo de debate e que o trabalho seja feito pela administração da universidade, para enfim conseguirmos mudar a situação em que se encontram os e as estudantes que procuram acompanhamento psicológico e estão na fila e de muitos outros e outras que ainda não procuraram ajuda por falta de informação e/ou incentivo.

Assim, reivindicamos junto a PROAE e à Reitoria da UFGD providências em caráter de urgência para a disponibilização de um ambiente adequado para o atendimento psicológico. Também reivindicamos que a Reitoria da UFGD empenhe esforços para pressionar o Ministério da Educação pela disposição de vagas de profissionais suficientes para suprir a demanda no próximo concurso público da universidade a fim de que seja possível atender efetivamente todos os estudantes que precisam e para que não haja sobrecarga sobre os profissionais já atuantes.

Nos colocamos à disposição para discutir soluções para esse problema junto da PROAE, dos/as profissionais responsáveis pelas políticas de assistência e atendimento psicológico e da comunidade. Estaremos atentos/as a esta temática e pretendemos fomentar atividades e discussões sobre o assunto durante essa gestão 2018 do DCE para que seja dado a ele a devida importância. Pois, melhorar a qualidade de vida dos e das estudantes significa aumentar suas garantias de permanência na universidade.

Diante dessa situação precária, o Grupo de Trabalho de Acesso e Permanência do DCE preparou uma lista com endereços e contatos de espaços de atendimento psicológico em Dourados que oferecem este serviço de forma gratuita para que as pessoas interessadas possam procurar alternativas enquanto não avançamos na resolução dos problemas internos da universidade. Confira no link: https://goo.gl/yiZ2TM
Assistência Estudantil é direito!
Permaneceremos!

Diretoria do DCE UFGD
Gestão 2018 – Solte a Voz
Dourados – MS, 28 de fevereiro de 2018

____________________
Envie sua demanda, dúvida, denúncia ou relato: ufgddce@gmail.com (garantiremos o sigilo e responderemos o mais breve possível).

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